segunda-feira, julho 24, 2006

De dia 7:

A nós, privilegiados num ápice,
como nos sabe a pouco o português.
Como nos é poeira o dialecto.

Odeio alguém. Já não sei quem.
Os meus sentimentos são cacos
sem rótulo antigo nem inscrição.

Este poema é a mesma coisa,
um conjunto de fragmentos
do pensamento partido, rescaldo.

Fica apenas a escrita empilhada
de quem não tem mais nada para fazer,
e a noção patente de ela ter um sentido,

um sentido distante, sem as forças
para impôr a ordem à confusão,
que talvez seja o agora face às horas acumuladas.